o creme que ele me deu...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Os sentidos se confundem quando estou na presença dele. É como se não enxergasse mais com meus olhos, e que meu olfato assumisse o papel de boca, querendo sentir nos lábios o perfume dos seus cabelos, a sensação de pele úmida tocando o meu corpo nu.

As palavras vertiam da mente de Laura como se fosse a trilha sonora de uma filme, as sensações da noite anterior, que ela recordava deitada em seus lençóis de seda brancos, o emaranhado de cabelos loiros e longos, a pele morna e o estômago suplicando por um bom café da manhã.

Levantar-se daquela cama seria como acordar do sonho, seria como desligar a música, e naquele momento, tudo que Laura menos imaginava era acordar daquele sonho. Olhou para o lado, e lá estava ele, com sua barba por fazer, os cabelos curtos e a pele levemente bronzeada pelo sol do verão que acabara de começar. Laura tocou seu rosto e fechou os olhos, como era bom sentir aquele frio na barriga, aquela sensação de paixão que tomava conta de seu corpo inteiro.

Foi então que ela resolveu que seria bom levantar-se, tomar um banho e preparar algo para comer, levantou-se e caminhou pelo apartamento com o corpo nu, sem preocupar-se muito com as janelas que estavam abertas, e com os vizinhos que poderia estar lhe vendo, Laura sentia seus corpo suplicando pela liberdade, a paixão faz isso com as pessoas, consegue torná-las mais livres, mais inconseqüentes, mais vivas.

Ligou o rádio em um volume baixo, para que não acordasse aquele que fazia companhia aos seus lençóis, tomo um banho demorado, quente, aromático, sentiu todas as gotas de água que escorriam pelo seu corpo, como se fosse uma criança sentindo a chuva tomar conta do seu corpo, Laura aproveitou aquele momento, pois era indescritível toda aquela sensação de prazer que tomava conta do seu corpo.

A paixão torna os seres mais intensos, mais inconseqüentes, mais enigmáticos e faz com que seus corpos insinuem a existência de batimentos cardíacos fortes, de um suor quente, de olhares profundos e respirações ofegantes.

Laura sabia que aquele momento era transitório como tantos outros homens que se fizeram presentes em sua cama, mas ainda assim ela sentia o prazer pelo novo, como se aquele momento fosse o primeiro e o último de sua vida.

Saiu do banho com os cabelos pingando e com o corpo ainda úmido, passou em sua pele o creme que ganhara de um romance que já havia deixado de existir. Foi aí que sentiu o calor da respiração de Marco tocar o seu pescoço, a barba coçar sua pele e os lábios macios tocarem sua orelha.

Beijaram-se e se amaram ali mesmo, com o cheiro de creme tomando conta do banheiro, misturado ao cheiro de sono que envolvia o corpo dele.

Assim, se amaram , com o calor que só seus corpos poderiam descrever.

Os raios solares já invadiam a sala de estar, Marco vestiu-se e esperou por Laura no sofá, no elevador um beijo leve selou o que havia acontecido na noite anterior. Laura trabalhava no outro lado da cidade, então despediram-se na calçada, em frente ao selador, viraram-se de costas um para o outro e seguiram rumo às suas vidas cotidianas.

A vida continuava, a rotina os esperava e o calor da paixão não passou daquela noite quente de verão.

uma bobagem qualquer...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

As vezes paro e me pego pensando em como eu posso ser uma pessoa melhor . Que atitudes minhas não condizem com o que eu julgo certo, e que atitudes minhas certas, não são vistas por aqueles que eu gostaria que me enxergassem como alguém, no mínimo madura.

Já ouvi inúmeras vezes, de pessoas que eu considero como exemplos, que eu sou uma pessoa bacana, dedicada e madura, no alto dos meus 22 anos de idade. Nunca busquei pela perfeição, até porque o perfeito não tem graça, o ser humano não só tem, como precisa dos defeitos para não se tornar chato ou previsível.

É por isso que certos comentários já não me abalam, ou melhor, até abalam, no primeiro momento, mas depois de um tempo de reflexão dentro do meu silêncio eu constato que aquele que julga, muitas vezes perde seu precioso tempo com os outros, quando na verdade poderia evoluir a si mesmo.

A maturidade está dentro da cabeça de cada um de nós. Ser maduro não é ter idade, é ter consciência do que significa essa palavra. Eu sei, que ainda tenho muito que aprender sobre essas coisas da vida, sobre essas pessoas incompreendidas por si mesmas. Mas eu também sei, que a única pessoa que realmente sabe quem sou eu, se chama Ana Paula e está aqui escrevendo esse texto neste exato momento.

Não me arrependo de nenhum gesto, de nenhuma palavra e de nenhuma vida pela qual eu passei. Nessa jornada tudo tem uma razão de ser, e com certeza todas as coisas e pessoas que passaram pela minha vida deixaram um aprendizado, por mais que algumas já não tenham me feito tão bem, dentro da incompreensão que existe dentro delas mesmas. Ainda assim, eu compreendo, porque cada um tem o seu momento para aprender o que está fazendo aqui, e não sou eu quem vai decidir por elas, isso elas vão enxergar quando for a hora certa e vai ser no momento em que isso for necessário.

Alguns me dirão que é bobagem ficar me preocupando com o que os outros pensam ao meu respeito, mas ainda assim eu gosto de saber, porque para entender é necessário, no mínimo saber.

Você sempre acaba sabendo o que dizem a respeito de ti, agora cabe a ti filtrar e levar disso apenas o que for necessário e benéfico a ti mesmo.

Jamais preocupe-se em agradar a todos que estão ao teu redor, seja sempre você, nunca pense antes de agir, quando agir é um instinto. Agora, mantenha-se sempre distante daqueles que não lhe trazem ensinamentos ou aprendizado.

Mantenha uma certa distância daqueles que lhe criticam pelo simples prazer em falar , ou pela falta de assunto (normalmente as pessoas que perdem suas horas criticando os gestos dos outros , é porque não tem muito assunto, e são ignorantes dentro de si próprios).

Em contrapartida, fique perto, quase junto, daqueles que lhe fazem bem, você pode as vezes pensar que não vai saber distinguir uns dos outros, mas você sabe, a gente sempre sabe.

Esse texto é homenagem a aqueles que perdem seu tempo criticando meus gestos, sinto muito em informar-lhes, mas eu vou continuar agindo de acordo com aquilo que eu acho certo, e não vou perder meu tempo tentando entender o por que. Pois para mim, o que essas pessoas pensam, não faz diferença nenhuma.

Silêncio


É dentre a montanha de folhas brancas, folhas rabiscadas e também aquelas preenchidas de ondas poéticas que vos escrevo. É ao som da MPB que embala meus versos, minhas frases, junção de versos e sonetos. É no absoluto vazio da tarde chuvosa e sombria, que o silêncio traduz tudo aquilo que surge agora no papel.

O silêncio embalado pela música, o silêncio que não é externo, porque aqui na vitrola toca Elis, toca Vinicius, toca a água batendo na calha. Mas aqui dentro, por mais externo que seja o barulho, só toca o silêncio.

O silêncio que toca aqui dentro é resultado do som ambíguo que se faz do lado de fora. Meus sentimentos param, levantam a agulha da minha vitrola e me dão ao direito humano de sentir apenas o silêncio.

O ser humano não consegue viver muito tempo sem o som de qualquer coisa que possa alimentar seus ouvidos, pode ser uma música, pode ser uma conversa paralela ou ainda pássaros cantando do lado de fora da janela. Mas devemos começar a nos permitir ao menos em algum momento, ouvir ao som inaudível que está dentro de nós mesmos.

É uma experiência semelhante à dos grandes pensadores, dos filósofos, dos pintores renascentistas, que sozinhos, no silêncio que havia dentro deles mesmos, surgia toda a voz, o grito das sensações muitas vezes escondidas.

A verdadeira música surge após o breve espaço do calar.

O silêncio é que encontra o verdadeiro som que devemos ouvir. Através da falta de palavras o silêncio encontra as palavras certas.

Vamos nos permitir, vamos acordar para não escutar, pelo menos assim, através de todo barulho mudo conseguimos vislumbrar ao nosso redor todos os gestos surdos, aquele que nenhum grito pode fazer-se ouvir.

Não ligue o rádio, fique sozinho, apague as luzes e veja como o silêncio pode lhe dizer muito mais do que algum dia você imaginou escutar.


28.01.2010

sombra

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A noite chegou

O telefone tocou
A voz do outro lado
E o arrepio.
.
A Cigarra cantou
A lua sorriu
A boca me tocou
A corpo se abriu.
.
O calor desses corpos
Se uniu
E nós dois
Nos tornamos apenas um.
.
Arranjei alguém
Para me confortar
Me enfeitiçar.
.
Somos às escuras
Mas somos assim
O suor
O calor
O beijo.
.
A falta de compromisso
E o excesso de desejo.
.
Veja bem
São amores assim
Sutis
Que hoje fazem parte de mim.
.

Você me causa

Um surto criativo
Inspiração
Emoção
Transpiração
Minha verdadeira poesia
É você

Absoluto

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O verso cria em nós a rima. A rima nos impulsiona para desgrenhar em poesia. Os fatos nos impulsionam a viver a vida. E a vida...bem, a vida é aquilo que acontece todo dia.

Podemos enxergar a vida como enxergamos um verso, uma poesia, um ritmo surdo, uma letra muda, um andar vazio. Caminhar devagar, pelas ruelas do nosso destino, e fazer dos fatos e dos atos a nossa alegria. Certo, haverá aqueles que dirão, a vida não é alegria; bem, de fato, hei de concordar com a colocação vadia, mas sei, que muito embora, não seja somente sorrisos e por mais que ocorram percalços, ainda assim, a vida é uma delícia.

São os pequenos acontecimentos diários, os choros desesperados, o olhar abatido, os encontros cretinos, os amantes perdidos e os amores suicidas, que fazem de nós, seres muito mais coloridos.

São os primaveras românticas, os verões bem vividos, os invernos de vinho tinto e os outonos sombrios, que fazem de nós mutantes todos os dias.

E é , assim, uma conclusão egoísta, para alguns até simplista, mas para mim a mais bonita, nós seres humanos, desenhistas, escritores, e poetas... podemos resumir uma vida, em absoluta poesia.

Busque, acredite, e mude de idéia de vez em quando

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Busque, incansavelmente pelo que você acredita, até o momento em que você não acreditar mais naquilo como sendo uma verdade absoluta.
Tente, SEMPRE. Não desista das suas metas, se não for para ser vai ser a vida que vai se encarregar de lhe mostrar isso.
A vida está me mostrando que muitas coisas podem mudar, o tempo traz a verdade e nossos sentimentos de adaptam às circunstâncias, não tem porque não acreditar.
Viva o momento e não preocupe-se com o que parece ser necessário se preocupar.
Quando for necessário e pertinente a verdade nos trará os sentimentos, emoções e a coragem para mudar.
As emoções se desenrolam dentro de nós no tempo necessário, pode ser 3 dias, 3 semanas ou até mesmo 3 meses, mas sempre chega o dia que a onda muda de direção e nos leva para onde realmente devemos estar.

Continuo acreditando que devemos batalhar muito pelo que desejamos e buscar por isso com todas as nossas forças. Não dá para desistir. No máximo, descobriremos que aquilo não era nossa verdade , e isso vai acontecer no momento em que deve acontecer. Aí sim, vamos passar a buscar por outras verdades! E essas serão os novos sonhos e desejos que vamos perseguir.

Minhas verdades estão mudando.

o adeus

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estou aqui sozinha

Querendo apenas o teu cheiro
Tua companhia
teu doce abraço
teu beijo molhado
Querendo tuas mãos
Tocando meu couro cabeludo
Sé de pensar em ti
Ja te tenho do meu lado
Sinto tua presença
Tuas mãos me tocando
Me diz que você vai voltar
me diz que é mentira
Que você não partiu
Para nunca mais voltar

Deixar de existir
Nunca combinou com você
Então volta
Vem aqui me abraçar

Quero você

Seu corpo suado colado no meu
Nós dois
Em outra dimensão

Nós dois
Mais uma vez
Meus desejos
Quero realizar com você

De solidão
Eu não sei viver

Quero tua boca
Tua boca na minha
Tem dias
Que só quero você

De solidão
Eu não sei viver

Tem dias
Que só quero você

25.12.09

Ilusões - por Richard Bach

Acabei de ler um livro chamado Ilusões, de Richard Bach, o livro trava questões filosóficas com uma naturalidade quase que comparável a uma história infantil, isso pela simplicidade da narrativa e pelo impacto que ela causa em nossa mente.

O livro traz a vida como sendo uma ilusão, tudo que faz parte dela também é uma ilusão, somos capazes, segundo um dos personagens, de fazer tudo, pois tudo é baseado em ilusões, e nós somos capazes do que quisermos dentro do que nós acreditamos.
Se levarmos ao pé da letra, realmente vamos ficar achando tudo isso uma loucura sem tamanho, mas entender a filosofia não significa necessariamente levar tudo ao pé da letra, porque a filosofia é o exercício do pensar.
Selecionei alguns trechos do livro, que servem justamente para isso, para exercitar o nosso pensar.
:
" Não existe nenhum problema que seja tão grande que não se possa fugir dele."
.
"Perspectiva-
Use-a ou perca-a
Se virou para esta página
esqueceu-se daquilo que se passa
em volta de você não é realidade.
pense nisso.
Lembre-se de onde você vai, para onde vai,
e porque você criou a confusão em
que se meteu para começar"
.
"A sua única obrigação, em qualquer vida, é ser sincero consigo mesmo"
.
"Os semelhantes se atraem."
.
" Valorize suas limitações, e, por certo, não se livra-rá delas"
.
" Não dê as costas a possíveis futuros
antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.
Você está sempre livre para mudar
de idéia ou escolher um futuro,
ou um passado diferentes"
.
" Não fique triste nas despedidas.
Uma despedida é necessária antes de vocês poderem se encontrar outra vez.
E se encontrar de novo,
depois de momentos, ou de vidas, é certo para os que são amigos."