Os sentidos se confundem quando estou na presença dele. É como se não enxergasse mais com meus olhos, e que meu olfato assumisse o papel de boca, querendo sentir nos lábios o perfume dos seus cabelos, a sensação de pele úmida tocando o meu corpo nu.
As palavras vertiam da mente de Laura como se fosse a trilha sonora de uma filme, as sensações da noite anterior, que ela recordava deitada em seus lençóis de seda brancos, o emaranhado de cabelos loiros e longos, a pele morna e o estômago suplicando por um bom café da manhã.
Levantar-se daquela cama seria como acordar do sonho, seria como desligar a música, e naquele momento, tudo que Laura menos imaginava era acordar daquele sonho. Olhou para o lado, e lá estava ele, com sua barba por fazer, os cabelos curtos e a pele levemente bronzeada pelo sol do verão que acabara de começar. Laura tocou seu rosto e fechou os olhos, como era bom sentir aquele frio na barriga, aquela sensação de paixão que tomava conta de seu corpo inteiro.
Foi então que ela resolveu que seria bom levantar-se, tomar um banho e preparar algo para comer, levantou-se e caminhou pelo apartamento com o corpo nu, sem preocupar-se muito com as janelas que estavam abertas, e com os vizinhos que poderia estar lhe vendo, Laura sentia seus corpo suplicando pela liberdade, a paixão faz isso com as pessoas, consegue torná-las mais livres, mais inconseqüentes, mais vivas.
Ligou o rádio em um volume baixo, para que não acordasse aquele que fazia companhia aos seus lençóis, tomo um banho demorado, quente, aromático, sentiu todas as gotas de água que escorriam pelo seu corpo, como se fosse uma criança sentindo a chuva tomar conta do seu corpo, Laura aproveitou aquele momento, pois era indescritível toda aquela sensação de prazer que tomava conta do seu corpo.
A paixão torna os seres mais intensos, mais inconseqüentes, mais enigmáticos e faz com que seus corpos insinuem a existência de batimentos cardíacos fortes, de um suor quente, de olhares profundos e respirações ofegantes.
Laura sabia que aquele momento era transitório como tantos outros homens que se fizeram presentes em sua cama, mas ainda assim ela sentia o prazer pelo novo, como se aquele momento fosse o primeiro e o último de sua vida.
Saiu do banho com os cabelos pingando e com o corpo ainda úmido, passou em sua pele o creme que ganhara de um romance que já havia deixado de existir. Foi aí que sentiu o calor da respiração de Marco tocar o seu pescoço, a barba coçar sua pele e os lábios macios tocarem sua orelha.
Beijaram-se e se amaram ali mesmo, com o cheiro de creme tomando conta do banheiro, misturado ao cheiro de sono que envolvia o corpo dele.
Assim, se amaram , com o calor que só seus corpos poderiam descrever.
Os raios solares já invadiam a sala de estar, Marco vestiu-se e esperou por Laura no sofá, no elevador um beijo leve selou o que havia acontecido na noite anterior. Laura trabalhava no outro lado da cidade, então despediram-se na calçada, em frente ao selador, viraram-se de costas um para o outro e seguiram rumo às suas vidas cotidianas.
A vida continuava, a rotina os esperava e o calor da paixão não passou daquela noite quente de verão.
